Exportações para países árabes devem chegar aos 2 mil milhões em 2015
As exportações portuguesas para os países árabes devem chegar aos dois mil milhões de euros em 2015, disse a secretária-geral da Câmara de Comércio e Indústria írabe-Portuguesa (CCIAP), í Agência Lusa.

2015-11-15 13:07:09 - (29 visualizações)
Nos últimos dez anos quadruplicamos [as relações comerciais], o que é excelente em termos económicos, mas existe capacidade para fazer muito mais, destacou Aida Bouabdellah a pouco mais de uma semana da realização do Fórum Económico Portugal - Países Árabes que acontece nos dias 23 e 24 de novembro em Lisboa.
Argélia, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Tunísia e Arábia Saudita absorvem a maior parte das exportações portuguesas para os 22 países da Liga Árabe, que atingiram em agosto um total de 1.340 milhões de euros, prevendo-se que ultrapassem os dois mil milhões de euros no final do ano e igualando os valores de 2013.
O intensificar das trocas comerciais reflete-se na participação do Fórum, que irá contar este ano com a maior presença de sempre em Portugal de delegações dos países árabes, incluindo Arábia Saudita, Argélia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Jordânia, Kuwait, Mauritânia, Palestina, Qatar, Síria, Sudão e Líbano, segundo a CCIAP.
Aida Bouabdellah atribui o interesse recíproco a uma conjugação de fatores.
Por um lado, as empresas portuguesas são muito bem vistas nos países árabes e começam a olhar para estes países em rápido crescimento, com economias bastante diversificadas e cada vez mais abertos ao exterior, como verdadeiros parceiros comerciais.
Para a dirigente da CCIAP, estes países surgem cada vez mais como alternativas para ultrapassar as dificuldades do mercado interno e de parceiros tradicionais de Portugal, como a Europa ou os países da lusofonia, e há setores considerados estratégicos para a economia portuguesa.
Entre estes contam-se a construção, ao agroalimentar, o imobiliário ou o turismo, que vão estar em destaque no fórum luso-árabe.
Os países árabes são altamente importadores de bens alimentares, muitos destes países ou estão em reconstrução e precisam de empresas que prestem serviços e de materiais de construção ou estão a promover eventos internacionais, como o Mundial de Futebol que vai acontecer em 2022 no Qatar, salienta Aida Bouabdellah.
Quanto a Portugal, além de ser um ótimo país para atrair o turismo árabe, devido aos seus recursos naturais como o tempo ameno e o saber receber, apresenta também oportunidades de investimento no imobiliário, acrescenta a mesma responsável, sublinhando que a participação no Fórum não se esgota com estes setores.
Questionada sobre os constrangimentos que se colocam à entrada das empresas portuguesas nos mercados árabes, como a necessidade de obter certificações halal (produtos preparados segundo as regras islâmicas) e certificados fitossanitários exigidos para determinados bens alimentares, a secretária-geral da CCIAP considera que se tratam apenas de requisitos que existem sempre que se fala de exportações.
Desvaloriza também a instabilidade política e riscos que se vivem em determinados países, afirmando que os empresários raramente suscitam este tipo de questões.
Quando existe uma manifestação de interesse é de parte a parte e essas questões não são impeditivas para uma empresa [portuguesa] levar trabalhadores ou contratar trabalhadores locais. Quando estamos a falar de negócio, quando estamos a falar de duas pessoas que se sentam à mesa e querem fazer negócio nada tem a ver a religião, nada tem a ver a cultura, nada tem a ver com ser homem ou ser mulher, reforça Aida Bouabdellah.
E garante que ser mulher na sociedade árabe não interfere no mundo dos negócios.
Há grandes empresas que têm mulheres em cargos de chefia nos países árabes, adianta, citando o seu próprio exemplo como mulher árabe que lidera uma das 14 câmaras de comércio árabe mistas existentes em todo o mundo e o bom relacionamento que sempre manteve com todos os seus interlocutores.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt