Dilma sofre ameaça de destituição pouco mais de um ano após reeleição
Pouco mais de um ano após a reeleição, a Presidente brasileira Dilma Rousseff é a primeira governante brasileira a sofrer a ameaça da impugnação do mandato desde 1992, quando Fernando Collor de Mello foi destituído.

2015-12-05 10:21:27 - (115 visualizações)
Ex-combatente de esquerda contra a ditadura militar brasileira (1964-1985), Dilma foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, acabando por lhe suceder.
Dilma assumiu a Presidência pela primeira vez em janeiro de 2011 e, no primeiro mandato, enfrentou uma crise económica, que tentou barrar com medidas anticÃÂclicas (diminuição de impostos de empresas e redução de juros) para incentivar o consumo, e uma crise polÃÂtica, devido àdificuldade em obter apoio dos partidos da coligação no Congresso, além de uma onda de manifestações, em 2013, que se iniciaram com crÃÂticas às taxas municipais e estaduais do transporte público.
No segundo mandato, para o qual foi eleita em outubro de 2014, tanto a crise económica como a polÃÂtica agravaram-se, colocando em causa a credibilidade do Governo, um processo influenciado pelas investigações de corrupção na companhia Petrobras, que levaram àprisão de vários polÃÂticos, alguns do Partido dos Trabalhadores (PT, de Rousseff).
Na economia, a eficácia dos incentivos ao consumo tinha diminuÃÂdo. No segundo mandato, Dilma nomeou como ministro da Fazenda Joaquim Levy, ex-diretor do banco Bradesco, que preparou um pacote de ajuste fiscal, que inclui a redução de benefÃÂcios e o aumento de impostos.
Com a austeridade, a Presidente perdeu parte do apoio de movimentos sociais e sindicatos àesquerda do Governo, num contexto em que já era rejeitada por setores conservadores, àdireita.
A crise polÃÂtica, que dificultou a aprovação das medidas do ajuste no Congresso, aprofundou-se logo após a eleição da Presidente para o segundo mandato, que ocorreu com uma margem pequena de vantagem (51,6%), na segunda volta. Com o ambiente polÃÂtico polarizado, houve manifestações que reuniram milhares de pessoas contra a Presidente, que pediam seu impeachment, ainda sem uma justificativa jurÃÂdica.
A taxa de aprovação da Presidente caiu para 7%, segundo sondagens. As chamadas pedaladas fiscais (empréstimos de bancos públicos para arcar com custos de Governo, o que é proibido no Brasil), levaram as contas da Presidente de 2014 a serem reprovadas pelo Tribunal de Contas da União, um órgão assessor do Congresso.
No entanto, para justificar um pedido de impugnação, era necessário um feito do atual mandato.
Os três juristas que escreveram o texto aceite pelo Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, afirmam que as pedaladas, usadas, segundo eles, em 2014 para camuflar a situação e beneficiar Dilma nas eleições, foram repetidas neste ano.
O pedido também acusa Dilma de crime de responsabilidade, por esconder o défice do paÃÂs e aprovar decretos de gastos suplementares, sem numeração, mesmo sem ter excedente orçamental.
Na segunda-feira, a Câmara dos Deputados do Brasil vai escolher os 65 membros da comissão especial que irá decidir se o parlamento acolhe ou não o pedido de impugnação da Presidente Dilma Rousseff.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt