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Clima: Há ambição, mas compromissos atuais de redução não chegam

O especialista ambiental Francisco Ferreira considerou hoje que a proposta de acordo para o clima é ambiciosa no longo prazo, mas recordou que os atuais compromissos nacionais para reduzir emissões não chegam para limitar o aumento da temperatura pretendido.



2015-12-12 16:00:31 - (60 visualizações)

É um acordo ambicioso no que diz respeito ao longo prazo, ou seja, a ideia de realmente garantir que não ultrapassamos 1,5 graus celsius de aumento de temperatura em relação à era pré industrial é claramente estabelecido, disse à agência Lusa o professor do Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, da Universidade Nova de Lisboa.

No entanto, o próprio acordo reconhece, de momento, com os compromissos nacionais que estão em cima da mesa não conseguimos compatibilizar as projeções das emissões futuras com os objetivos que o acordo acaba por definir nem com dois graus celsius de aumento da temperatura, nem muito menos agora com a ambição de 1,5 graus, realçou.

Francisco Ferreira, que integra a delegação portuguesa na conferência das Nações Unidas para o clima (COP21), que decorre em Paris, também apontou a ideia de que, na segunda metade do século XX, o balanço entre as emissões de gases com efeito de estufa e os sumidouros, aquilo que é capaz de retirar o carbono da atmosfera, como é o caso das florestas, deve ser nulo.

Representantes de 195 países mais a União Europeia estão há duas semanas a negociar um acordo para conseguir reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e limitar o aumento da temperatura de modo a evitar fenómenos extremos como ondas de calor, secas, cheias ou a subida do nível do mar.

A conferência deveria ter terminado na sexta-feira, mas o acordo ainda não tinha sido obtido e foi adiada para hoje, tendo já sido apresentada a proposta final, agora a ser analisada pelos países, estando marcada a aprovação para o final da tarde.

Este acordo de Paris é um passo, um momento, como foi referido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, não é um fim, claramente agora tem de ser construído, implementado, verificado e o que aqui está traçado é o caminho que é longo e tem a possibilidade de ser ajustado ao longo do tempo, resumiu Francisco Ferreira.

Para o professor, o que faz uma grande diferença em relação à forma como as Nações Unidas na área do clima começaram por estabeleceram o protocolo de Quioto e têm vindo a funcionar, é esta ideia de que, de acordo com as necessidades, há a possibilidade de aumentar a ambição.

Em termos do desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, há, sem dúvida, aqui uma boa indicação, disse Francisco Ferreira, referindo que as contribuições nacionais podem ser revistas e melhoradas de cinco em cinco anos, embora com o senão de que até 2020, quando o acordo entrar em vigor, não há possibilidade à partida de melhorar essa ambição.

Cada país define o seu contributo, e este deve ser implementado, dai a natureza legalmente vinculativa do trabalho de cada um dos países apesar de não termos uma meta de redução de emissões à escala global estabelecida, acrescentou.

As perdas e danos não têm mecanismo específico, mas ficam contempladas no acordo num artigo diferente da adaptação, e o financiamento começa em 100 mil milhões de dólares em 2020, com a ideia de ser aumentado a partir dai, com um novo objetivo a ser traçado até 2025.

As diferenças entre países desenvolvidos e em desevolvimento continuam a existir e essa foi uma das questões mais dramáticas neste acordo, mas começam a estar mais esbatidas, portanto temos um acordo mais abrangente, mais respeitador das diferenças, disse ainda Francisco Ferreira.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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