Recomenda-se maior precisão nas avaliações de políticas para Educação
A avaliação das políticas na área da Educação deve integrar informação financeira que associe as medidas com o impacto orçamental que produzem, recomenda o Tribunal de Contas (TdC) ao Governo num relatório hoje divulgado.

2015-12-15 10:28:36 - (46 visualizações)
O TdC pede também mais precisão nos planos para a melhoria da qualidade de ensino secundário e do ensino e formação profissional, que devem ter os objetivos, as ações previstas, o tempo de duração ou as metas a alcançar. Assim, diz o TdC, as opções polÃÂticas serão mais fundamentadas e será possÃÂvel avaliar os resultados.
Outra recomendação é a de que sejam sistematicamente avaliadas as medidas no setor da Educação que abranjam os impactos para o sistema público, alunos e mercado de trabalho (quanto àreorganização da rede escolar, generalização dos contratos de autonomia, formação em contexto de trabalho, criação dos cursos vocacionais e cursos técnicos superiores profissionais, e criação de escolas de referência empresarial).
As recomendações fazem parte de uma auditoria do TdC ao Acompanhamento dos Mecanismos de Assistência Financeira a Portugal, datado de novembro e que hoje foi tornado público.
O documento, para apreciar a implementação do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal (troika), faz uma análise das polÃÂticas na área da Educação nos últimos anos e do seu impacto financeiro.
E afirma que os orçamentos do Estado no perÃÂodo 2012 a 2014 previam um conjunto mais alargado de medidas de consolidação orçamental dirigidas ao Ministério de Educação e Ciência, cujos impactos financeiros estimados eram superiores aos previstos no Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de PolÃÂtica Económica MoU).
Na área da Educação, cita o relatório, o Orçamento Geral do Estado de 2012 previa uma redução na despesa de 601 milhões de euros (380 no MoU), no de 2013 uma redução de 388 milhões (150 no MoU) e no de 2014 uma redução de 368 milhões (o MoU não estimava impactos).
No levantamento que se faz no relatório diz-se também que entre os anos letivos de 2005/6 e 2013/14 verificou-se que 5.963 estabelecimentos foram extintos e 507 criados, evolução que se deveu essencialmente àreorganização operada nas escolas básicas do 1.º ciclo e nos jardim-de-infância.
Por outro lado, diz-se no documento, entre os anos letivos 2010/11 e 2014/15 a redução de professores foi de 21,1 por cento, em especial devido àquebra em mais de metade do número de contratados, de 33.413 para 14.496 (56,6%).
O ano letivo de 2014/15 foi o único em que se verificou um aumento do número de docentes contratados face ao registado no ano anterior (1.922, 15,3%). O número de não docentes manteve-se relativamente estável, apesar da redução em 2,5%, sistematiza o TdC, acrescentando que a redução do pessoal não docente foi de 16,5% (31.049).
Outros indicadores citados no documento indicam também que entre 2010 e 2014 a taxa de abandono precoce de educação e formação reduziu-se em 10,9 pontos percentuais, situando-se em 17,4% mas encontrando-se ainda acima da média da União Europeia - UE.
Portugal é o quarto paÃÂs que apresentou a taxa mais elevada (Espanha 21,9%, Malta 20,4% e Roménia 18,1%); refira-se, no entanto, que este indicador evoluiu positivamente tendo em conta que em 2000 e em 2005 representava 43,6% e 38,3%, respetivamente, adianta-se no documento.
Quanto àpercentagem de diplomados, o indicador nacional também evoluiu favoravelmente apresentando um aumento de 7,3 pontos percentuais, ainda assim também inferior àmédia europeia.
De 2012 a 2014 as medidas de consolidação orçamental atingiram 1,3 mil milhões de euros. A redução da despesa total do Ministério entre 2010 e 2014 foi de 15 por cento, especialmente pela diminuição de despesas com pessoal, lê-se ainda no documento do TdC.
ÂÂ
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt