Brasil: Correção de preços controlados pelo governo fez subir inflação
O Brasil terminou 2015 com a inflação na casa dos dois dígitos, 10,67%, puxada pelos reajustes do combustível e da luz, disseram í Lusa especialistas brasileiros.

2016-01-08 22:21:13 - (61 visualizações)
A energia subiu 51%, sendo responsável por 1,5 pontos percentuais do total do Ãndice de inflação, enquanto a gasolina aumentou 20,1% impactando o Ãndice em 0,76 pontos percentuais.
Esses dois itens tiveram elevação relevante nos últimos doze meses porque são controlados pelo governo federal, que deixou de subsidiar e controlar parte das tarifas e preços, considerou Antônio Carlos Alves dos Santos, professor da PontifÃcia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
No caso da gasolina e da luz, o aumento não afeta só a população quando ela abastece o carro ou paga a conta de energia, os reajustes provocam impacto em toda a cadeia produtiva do paÃs, salientou.
O valor dos alimentos sobe com o combustÃvel porque eles [alimentos] são transportados por camiões até chegarem ao consumidor. Esse custo é repassado. Já a luz tem impacto direto na produção industrial e nos serviços, frisou.
Clemens Nunes, economista e professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV), concorda que a gasolina e a luz foram os grandes responsáveis pela inflação elevada em 2015, mas ressalta o peso dos alimentos no Ãndice.
Os alimentos tiveram grande variação. Eles foram muito influenciados pela seca e pela desvalorização do real. Temos a cebola e o tomate, por exemplo, registando grande alta nesse perÃodo, apontou.
Para a população em geral, a subida dos preços é um sinal de preocupação porque além de desencadear perda do poder de compra, pode provocar o aumento do desemprego.
O brasileiro vê a inflação na casa dos dois dÃgitos com grande preocupação e acaba deixando de consumir. Sem o consumo, a produção diminui e o desemprego aumenta, diz Alves dos Santos.
O aumento da inflação no Brasil no ano passado foi mais sentido pelas pessoas de baixos rendimentos. O Ãndice de inflação para os mais pobres, medido pelo INPC (Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor) terminou 2015 com uma subida de 11,28%, acima do aumento de 6,23% registado em 2014.
A população mais pobre sofre mais porque vive no limite do rendimento. Ela percebe que o seu dinheiro não dá mais para comprar os mesmos produtos que consumia antes. Isso é dramático, concluiu Clemens Nunes.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt