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Projeto da 2.ª Circular "pode pôr em grave risco aviação e população"

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) alerta que o projeto da Câmara para a Segunda Circular "pode pôr em grave risco" a aviação que opere no Aeroporto de Lisboa e a população da cidade.



2016-01-14 07:07:30 - (83 visualizações)

As conclusões constam de um relatório técnico, a que a agência Lusa teve hoje acesso, no qual o GPIAA dá opinião técnica desfavorável ao projeto de requalificação daquela via, por considerar que a solução apresentada carece de suporte legal e pode pôr em grave risco a aviação que opere no Aeroporto de Lisboa e todos os habitantes da cidade.

O projeto em causa está incompleto por não contemplar qualquer alusão ao impacto ambiental que a arborização prevista [plantação de 7.500 árvores na zona envolvente da Segunda Circular e mais de 500 exemplares ao longo do separador central] poderá provocar no controlo da avifauna, nas imediações do Aeroporto da Portela, afetando diretamente as operações aéreas relativamente à segurança aeronáutica, sustenta o documento.

O GPIAA coloca reticências ao projeto por ser inadequado e insuficiente na identificação de todos os impactos negativos na biodiversidade daquela zona e na garantia da segurança dos aviões que operam no aeroporto, devido à possibilidade de as aves colidirem com as aeronaves (bird strike).

O relatório técnico foi enviado esta semana pelo GPIAA para o gabinete do secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme dOliveira Martins, para o presidente do conselho de administração da Autoridade Nacional de Aviação Civil, regulador do setor aeronáutico, e para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o socialista Fernando Medina.

Na informação técnica, assinado pelo diretor do GPIAA, Álvaro Neves, são ainda apontadas críticas à falta de visão estratégica da Câmara de Lisboa e do seu presidente, que, segundo o relatório, demonstraram um desconhecimento incompreensível numa área de especial interesse para a cidade: um aeroporto seguro e reconhecido como tal.

O projeto foi colocado em consulta pública (que termina a 29 de janeiro) sem ouvir as autoridades aeronáuticas sobre os impactos do previsível aumento de aves perto do aeroporto.

É incompreensível que a Câmara não tenha antecipadamente ouvido as entidades do sistema aeronáutico em que um aspeto tão essencial e primordial como o conhecimento dos movimentos das aves nas imediações do aeroporto, pela concentração de uma substancial mancha verde natural. É relegado e menosprezado para um patamar inferior e apresentado como medida de mitigação, quiçá a analisar na fase subsequente de projeto, critica o GPIAA.

Numa resposta escrita enviada à Lusa, a autarquia refere que o projeto proposto pela maioria socialista não vai afetar o tráfego aéreo.

Contudo, o organismo público responsável pela prevenção e investigação dos acidentes aéreos em Portugal, tutelado pelo Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, insiste que é preocupante que a câmara tenha decidido dar seguimento a uma iniciativa desta envergadura sem a devida consulta da indústria aeronáutica.

Em causa, sublinha, está uma solução técnica inadequada e potencialmente perigosa para a aviação civil.

A proposta camarária visa diminuir o tráfego de atravessamento na Segunda Circular através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso ao IC19 (itinerário complementar) e à A1 (autoestrada), encaminhando o trânsito para a CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa).

Prevê-se também a redução da largura das vias, a montagem de barreiras acústicas, a reabilitação da drenagem e do piso, a renovação da iluminação pública e da sinalética e a diminuição da velocidade, de 80 para 60 quilómetros/hora.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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