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Golfo: Uma guerra incompleta para os neoconservadores

A primeira Guerra do Golfo (1991) foi vista pelos setores mais conservadores dos Estados Unidos como uma guerra incompleta que a segunda (2003) acabou por concluir, considerou o investigador Bernardo Pires de Lima.



2016-01-16 11:21:30 - (22 visualizações)

A operação Tempestade do Deserto, lançada pelos Estados Unidos a 17 de janeiro de 1991 para expulsar as tropas iraquianas que tinham invadido o Kuwait cinco meses antes, ficou marcada pela determinação de George Bush pai em nunca deixar que o carril da ONU fosse ultrapassado por uma decisão unilateral norte-americana.

A resolução do Conselho de Segurança de novembro de 1990 dava ao Iraque até 15 janeiro de 1991 para sair do Kuwait, pelo que o início da operação liderada por Washington no dia seguinte não só respeitou o quadro legal como gerou uma ampla coligação de vontades (...) A administração Bush pai aceitava de forma diferente da de Bush filho a centralidade da ONU em questões de segurança nacional e internacional, explicou Pires de Lima à agência Lusa.

Esse respeito pela ONU como pivot da nova ordem mundial pós-Guerra Fria, sobretudo quando Bush pai decidiu não entrar em Bagdad e não derrubar Saddam Hussein, tornou-o alvo de fortes críticas dos neoconservadores norte-americanos, incapazes de aceitar que a superpotência vencedora da Guerra Fria e a mais poderosa da História tenha a hipótese de derrubar um ditador e mudar uma tirania e não o faça: Tanto poder para quê?, questionavam.

É isto que os neoconservadores criticam e em que mais tarde pegam para justificar a invasão do Iraque em 2003: um momento (pós-11 Setembro), uma concentração de poder (hiperpotência a precisar de mostrar a sua força), um caso por concluir (Iraque de Saddam), acrescentou.

Neste sentido, pode falar-se num elo de ligação entre o Iraque de 1991 e o Iraque de 2003. E como o pós-guerra em 2003 foi absolutamente desastroso e contribuiu para a guerra civil e para a entrada em cena da Al-Qaida, e da sua cisão iraquiana chamada hoje ISIS, há também uma relação próxima com o quadro de insegurança atual no Iraque, disse.

Noutro plano, o investigador considera que essa guerra em dois atos, em que a produção e exportação de petróleo teve um papel importante mas no caso dos Estados Unidos foi apenas um fator, acabou por mudar não apenas o posicionamento político de Washington no Médio Oriente como também a sua política energética.

Os EUA tornaram-se no último par de anos no maior produtor de gás do mundo e vão sê-lo em breve também no petróleo, alterando os termos da centralidade da OPEP na política internacional. Em certo sentido, a maldição do Iraque foi o alerta para os EUA se autonomizarem energeticamente e com isso serem mais prudentes nos assuntos do Médio Oriente, explicou.

Exemplo disso, prosseguiu, é a forma como Washington tem lidado com o conflito na Síria e a sua anuência à emergência do estatuto de potência regional decisiva dado ao Irão.

Vivemos um tempo de transição e transformação na geopolítica da energia e das relações dos Estados Unidos no Médio Oriente, concluiu.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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