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Síria: Negociações sem curdos "não poderão resultar" em solução

As negociações previstas em Genebra entre opositores e representantes do regime sírio não poderão "dar resultado" sem a participação do principal partido curdo sírio, declarou hoje o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.



2016-01-26 10:28:40 - (15 visualizações)

Sem este partido, sem os seus representantes, as negociações não poderão resultar naquilo que pretendemos, ou seja, numa solução política definitiva da guerra na Síria, afirmou Lavrov, numa conferência de imprensa na capital russa.

Mas a Rússia não vetará as negociações de paz, que devem começar na sexta-feira em Genebra, sob a égide da ONU, se o Partido da União Democrática (PYD) de Saleh Muslim não for convidado, sublinhou.

Apoiado militarmente pelos Estados Unidos, o PYD e o seu braço armado PYG, combatem os jihadistas do grupo extremista Estado Islâmico (EI). O principal partido curdo sírio é considerado pela Turquia como um ramo do Partido dos Trabalhadores do Curdistão turco (PKK, ilegalizado), organização que Ancara classifica como terrorista.

As negociações entre a oposição síria e o regime de Damasco, que Moscovo e Washington tentam organizar há vários meses, deviam ter começado na segunda-feira, mas foram adiadas devido a um bloqueio sobre a composição das delegações.

Os convites vão ser hoje enviados pelo emissário especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura. Na segunda-feira, o responsável recusou adiantar pormenores sobre pessoas ou grupos convidados para a reunião de Genebra.

A coligação da oposição síria, a principal componente da oposição no exílio formada, no mês passado, em Riade, e que inclui importantes fações rebeldes armadas, formou uma delegação para as negociações em Genebra sem o PYD e outros elementos da oposição.

A Rússia, país aliado do regime de Bashar al-Assad, procurou a participação de alguns destes responsáveis, numa delegação alargada, ou numa delegação paralela.

Mas a coligação da oposição acusou Moscovo de querer incluir figuras próximas do regime e ameaçou boicotar as negociações, caso fossem convidados outros representantes da oposição.

O principal objetivo das negociações de Genebra é o roteiro definido, em dezembro passado, pelo Conselho de Segurança da ONU que prevê um cessar-fogo, um governo de transição no prazo de seis meses e eleições em 18.

A guerra civil na Síria, que dura há cinco anos, levou já à organização de duas séries de negociações em Genebra, denominadas Genebra 1 e Genebra 2, mas que foram infrutíferas.

Estas negociações não ser uma Genebra 3, advertiu Staffan de Mistura, afirmando esperar uma história de êxito à maneira de Genebra.

 

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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