Fundação Ricardo Espírito Santo terá solução de financiamento em breve
A presidente da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS), Conceição Amaral admitiu hoje que a entidade ainda tem salários em atraso, mas haverá "muito em breve uma solução definitiva" para o financiamento da instituição.

2016-01-27 12:49:14 - (106 visualizações)
No inÃcio da semana, o concelho de administração da FRESS comunicou aos cerca de 130 funcionários que apesar de todos os esforços não seria possÃvel pagar hoje o salário de janeiro.
Contactada pela agência Lusa, a presidente da FRESS explicou que os salários são habitualmente pagos a 27 de cada mês, mas nos últimos meses houve atrasos de alguns dias.
Desde 2014 que a instituição enfrenta dificuldades financeiras após ter perdido o seu principal mecenas, o Banco EspÃrito Santo (BES), que entrou em colapso, com prejuÃzos históricos.
Até ao fim da semana deverão ser pagos os salários de janeiro e a parte em atraso do último mês de dezembro, indicou Conceição Amaral, acrescentando que a FRESS está na fase final de negociação com parceiros para encontrar uma solução definitiva para a situação da fundação.
Em 2015, segundo a presidente, a FRESS viveu apenas de receitas próprias, sem um mecenas principal, como tinha anteriormente, e alguns apoios financeiros da Câmara Municipal de Lisboa e da Santa Casa da Misericórdia, para tesouraria e funcionamento.
Foi um ano muito difÃcil, mas conseguimos manter toda a estrutura a funcionar - museu, escolas, oficinas e os departamentos de conservação e restauro - e sem despedir pessoas, sublinhou.
Relativamente aos salários em atraso, a presidente garantiu que os funcionários foram sempre avisados, e foi mantido um fundo para pagamento mÃnimo de 600 euros, que cobrisse o salário mÃnimo.
A entidade tem 96 funcionários no quadro, e mais três prestadores de serviços, acrescendo ainda 32 professores.
Embora a situação difÃcil, conseguimos cumprir as encomendas, que até aumentaram, apontou, indicando que, no caso de restauro, os clientes são sobretudo portugueses, e na criação de peças decorativas e pintura são estrangeiros, sobretudo do Brasil, México, Oriente, Ãfrica e França.
Quanto à solução definitiva para a situação da FRESS, indicou que está muito para breve a assinatura de um protocolo.
Tutelada pelo Ministério da Cultura desde 2008, a FRESS chegou a receber um apoio de 200 mil euros anuais, sofrendo uma quebra em 2013, para 140 mil euros, após os cortes nos apoios a fundações.
Em 2014, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) - justificando que a coleção de arte da FRESS era um património relevante para o paÃs - abriu um processo de classificação da coleção reunida por Ricardo Ribeiro EspÃrito Santo Silva (1900-1955), que se destacou como o maior colecionador de arte portuguesa do século XX.
Atualmente, a FRESS detém o Museu de Artes Decorativas e 18 oficinas de artes e ofÃcios tradicionais portugueses, que ensinam intervenção especializada no património, nas vertentes de conservação e restauro.
A FRESS tutela ainda duas escolas para ensino das Artes: a Escola Superior de Artes Decorativas e o Instituto de Artes e OfÃcios.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt