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Ativista angolano envia mensagem ao Bloco de Esquerda

O angolano Sedrick de Carvalho, acusado de rebelião em Luanda, revela numa carta ao Bloco de Esquerda que foi privado do acesso a notícias e que o processo judicial demonstra "inexistência de democracia" em Angola.



2016-01-27 14:56:27 - (17 visualizações)

Os ativistas, considerados presos de consciência pela Amnistia Internacional, estão desde final do ano passado em regime de prisão domiciliária, tendo permanecido quase meio ano nas prisões de Luanda, sem acesso a notícias.

Ao longo dos seis meses em regime fechado, não nos foi permitido (pelo menos eu e os seis companheiros que estiveram comigo na prisão Calomboloca) assistir, ler e ouvir órgãos de informação - exceto ler o Jornal de Angola, caixa-de-ressonância do Governo, acusa Sedrick de Carvalho, que escreve em nome pessoal, apesar de notar que a gratidão é coletiva.

Digo isto para realçar que só em casa, agora em prisão domiciliária, está a ser possível perceber a gigantesca onda de solidariedade proveniente de Portugal, inclusive ao nível político, refere.

Na mensagem de agradecimento ao Bloco de Esquerda (BE), datada de 24 de janeiro que a Lusa teve acesso, o jornalista angolano Sedrick de Carvalho refere-se ao empenhamento do partido português no caso dos ativistas que foram presos em junho de 2015, em Luanda, e acusados de tentativa de rebelião contra o presidente José Eduardo dos Santos.

Os 17 ativistas - entre os quais duas jovens que aguardam em liberdade e os 15 que estiveram em prisão preventiva entre junho e dezembro - estão acusados, em coautoria, de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, entre outros crimes menores, incorrendo numa pena de três anos de cadeia.

O caso, segundo a acusação deduzida pelo Ministério Público, remonta a 16 de maio de 2015, quando se realizou a primeira sessão de um curso de formação para formadores de ativistas, em Luanda.

Na mensagem dirigida no domingo ao Bloco de Esquerda, Sedrick sublinha que o regime angolano se mantém desde 1975 acrescentando que infelizmente é um dos presos políticos do processo de rebelião.

Digo infelizmente, pelo facto de existir tal categoria de preso no meu país -- Angola - o que demonstra, e muito bem, a inexistência de democracia nesta parcela do mundo. Não há dúvidas disso!, escreve.

Na missiva, o jovem angolano pede ao BE para continuar empenhado no sentido da libertação de todo o grupo e na esperança de ver os direitos humanos respeitados e a democracia implementada em Angola.

Enquanto nos chegavam relatos de esforços titânicos pedindo Liberdade Já, passou a ser indispensável a realização de uma conferência de imprensa conjunta para agradecermos pelo apoio interno e externo. Mas, por enquanto, não é possível, conclui Sedrick de Carvalho, demonstrando agradecimento pelas manifestações de solidariedade ao longo dos últimos meses.

No dia 03 de julho de 2015, o BE e o deputado socialista Pedro Delgado Alves ficaram sozinhos, no parlamento, na condenação da repressão política em Angola e no apelo ao fim da detenção do grupo de jovens opositores do regime.

O voto de condenação pela repressão em Angola teve a oposição do PSD, PS, CDS, PCP e Partido Ecologista Os Verdes, o que motivou, na altura, reações de indignação por parte dos deputados bloquistas.

Entretanto, no passado dia 08 de janeiro, o PSD, CDS-PP e PCP rejeitaram um novo voto de condenação apresentado pelo Bloco de Esquerda sobre repressão em Angola e que continha um apelo à libertação dos ativistas detidos, iniciativa que teve a abstenção do PS.

Este voto do Bloco de Esquerda, porém, contou ainda com o apoio de seis deputados socialistas (Alexandre Quintanilha, Isabel Moreira, Inês de Medeiros, Isabel Santos, Pedro Delgado Alves e Wanda Guimarães), além do representante do PAN (Pessoas Animais e Natureza).

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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