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Cotadas "muito preocupadas" com fragilidade da bolsa portuguesa

As empresas cotadas ou que têm dívida a negociar no mercado de capitais estão "muito preocupadas" com a situação da bolsa portuguesa, reclamando mais investimento da Euronext, disse hoje no parlamento o líder da associação que as representa.



2016-01-28 19:28:15 - (124 visualizações)

Deixamos aqui uma nota de muita preocupação com a atual situação do mercado de capitais português, que é uma situação de fragilidade sem paralelo com outros países com que nos comparamos, afirmou Abel Sequeira Ferreira, diretor executivo da Associação de Empresas Emitentes de Valores Cotados em Mercado (AEM).

E realçou: O principal indicador desta fragilidade é, por um lado, a diminuição da capitalização bolsista em função do PIB [Produto Interno Bruto], e por outro, o facto de não termos entrada de novas empresas em bolsa.

O responsável participou numa audiência na Comissão de Economia, na Assembleia da República, tendo reclamado um maior investimento da Euronext, a gestora da bolsa portuguesa, na dinamização do mercado.

O que causa desconforto é a Euronext ter lucros tão grandes sem fazer um investimento no desenvolvimento do mercado português, resumiu.

Segundo Abel Sequeira Ferreira, a situação do mercado é tão frágil que a única forma de inverter esta tendência é lançar um plano estratégico para o mercado de capitais português, envolvendo todos os atores nesse esforço.

Não é possível através de iniciativas isoladas que as empresas recuperem confiança para irem para o mercado, sublinhou.

A bolsa tem que responder às necessidades das empresas e, em nossa opinião, a Euronext não tem estado a fazê-lo, criticou, considerando que a Euronext em Lisboa tem que agir de acordo com as necessidades da realidade portuguesa.

Sequeira Ferreira apontou para a forte queda da negociação em Lisboa e a falta de apetência das empresas pelo mercado de capitais para justificar as suas críticas à Euronext.

É preciso fazer diferente porque o mercado não está a dar resposta às necessidades de financiamento das empresas portuguesas, assinalou.

E realçou: A Euronext tem mantido uma atitude de alguma inércia.

Em declarações à Lusa à margem da sua audição parlamentar, o líder da AEM ilustrou com o aumento do preçário definido para a plataforma transnacional que gere as bolsas de Amesterdão, Bruxelas, Lisboa e Paris.

Ainda agora em janeiro houve um aumento do preçário. É definido um preçário em Paris que é replicado nas outras praças. Ora, não podem ser aplicadas políticas harmonizadas porque os mercados são diferentes, vincou.

Há cinco anos que insistimos nisto com a Euronext, que não tem mostrado abertura. A Euronext tem em Portugal resultados muito elevados com um retorno de 60% (das receitas face às despesas), o que origina lucros excessivos face à realidade do mercado português, acrescentou.

De acordo com Sequeira Ferreira as grandes empresas, as cotadas, são as mais impactadas, mas o impacto também se sente nas empresas que não estão cotadas, que perdem o apetite pela opção de se financiarem no mercado, seja no segmento acionista ou obrigacionista.

A Euronext tem lucros excessivos em Portugal e ainda corta nos benefícios que podia dar ao mercado, acusou, explicando que a entidade cortou os benefícios que dava às empresas que já tinham estado cotadas para voltarem ao mercado.

Sequeira Ferreira disse que esta forma de agir da Euronext é motivo de grande insatisfação, pedindo que a gestora da bolsa portuguesa invista parte dos seus lucros em programas de capacitação das empresas para irem ao mercado.

O responsável rematou que mesmo que a iniciativa não parta da bolsa, pelo menos que apoie, porque é quem tem capacidade para o fazer, já que, em números gordos, obtém receitas superiores a 30 milhões de euros anuais que originam lucros na ordem dos 15 milhões de euros.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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