Estudantes protestam em Luanda contra aumentos nas universidades
Algumas dezenas de estudantes do ensino superior manifestaram-se hoje em Luanda, empunhando cartazes contra os "aumentos exorbitantes" nas taxas e propinas das universidades públicas e privadas angolanas, protesto que foi condicionado pela intervenção policial.

2016-01-30 17:07:34 - (85 visualizações)
Os estudantes começaram a concentrar-se pelas 13:00 (menos uma hora em Lisboa) nos arredores da capital angolana e o objetivo, conforme anunciado pelo autodesignado Movimento de Estudantes Angolanos (MEA), era marchar em direção ao largo 1.º de Maio, no centro de Luanda.
A polÃÂcia veio e tirou-nos daqui àforça, com pressão. Não nos deixaram passar [marchar para o centro], disseram que eram ordens superiores, disse àLusa Miguel Quimbenze, porta-voz do MEA.
Ainda assim, e sempre sob forte aparato policial, conforme a Lusa constatou no local, um grupo de pouco mais de vinte estudantes conseguiu protestar, com cartazes, contra os aumentos nas universidades, junto àestrada de Catete, de acesso ao centro de Luanda.
Apesar da mobilização policial, não se registaram confrontos ou detenções.
Já depois da convocação deste protesto, o Ministério do Ensino Superior anunciou, na sexta-feira, que durante a próxima semana vai reunir-se com universidade e associações de estudantes para abordar os valores de taxas, emolumentos e propinas cobradas pelas instituições.
Temos agora uma moratória de sete dias e depois esperamos mais duas semanas. Se nada se alterar, então vamos convocar novo protesto e antes do inÃÂcio do ano letivo voltaremos a sair a rua, afirmou o porta-voz do MEA.
Os estudantes criticam os aumentos nos valores cobrados para as taxas de ingresso, que face ao ano escolar de 2015 chegam a ultrapassar os 100%, variando entre os 4.000 e os 12.480 kwanzas (23 a 76 euros), explicou Miguel Quimbenze.
Em Angola decorre nesta fase o processo de candidaturas ao ensino superior, cujo ano letivo deverá arrancar em março, com os estudantes a denunciarem igualmente aumentos generalizados nas propinas, passando para entre 30.000 e 38.000 kwanzas (177 a 224 euros) por mês, dependendo das universidades.
O salário mÃÂnimo nacional em Angola está fixado desde 2014 entre os 15.003,00 e os 22.504,50 kwanzas (88 a 132 euros), enquanto os preços não param de subir há mais de um ano, devido àcrise financeira, económica e cambial que o paÃÂs atravessa, face àquebra na cotação do petróleo.
O protesto de hoje, que devia terminar no centro da cidade de Luanda, fortemente vigiado pela polÃÂcia, visava ainda reclamar a implementação de um passe social do estudante, devido aos aumentos, este mês, do preço dos combustÃÂveis e dos transportes públicos, que, dizem, vão pesar nas despesas diárias com o transporte dos estudantes.
Além de 45 estabelecimentos privados de ensino superior legalizados (um destes sem funcionar), Angola conta com 28 públicos, que cobrem, nas sete regiões académicas, todo o paÃÂs.
Mais de 269.000 estudantes frequentavam as instituições de ensino superior em Angola, no arranque do ano letivo de 2015, marcado pelo alargamento dos cursos de medicina às provÃÂncias do UÃÂge e do Cuando Cubango.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt