Floresta onde Zika foi descoberto ganhou repentina notoriedade
Ainda há bem pouco tempo, a floresta ugandesa de Zika era uma pequena reserva conhecida apenas por ornitólogos e cientistas, mas a epidemia do vírus homónimo, que afeta o continente americano, veio trazer-lhe uma súbita notoriedade.

2016-01-31 11:43:19 - (21 visualizações)
O vÃrus, transmitido por mosquito e suspeito de provocar graves malformações congénitas, está a propagar-se de forma explosiva sobretudo na América do Sul, onde os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que convocou uma reunião de emergência para segunda-feira em Genebra, apontam para três a quatro milhões de casos.
A milhares de quilómetros, no Uganda, o ambiente é menos alarmista, apesar de algumas pessoas que vivem perto da floresta começarem a inquietar-se, tal como admitiu à agência France Presse um antigo guarda-florestal local.
Gerald Musika confessou, aliás, que desconhecia a existência do Zika até há cerca de duas semanas, ele que viveu quase sete anos próximo da floresta onde o vÃrus foi identificado em 1947.
Ruth Mirembé, 24 anos, residente também próxima da selva de Zika, disse à AFP que foi através do Facebook que tomou conhecimento sobre o vÃrus, algo que, porém, disse, não a preocupa.
A maior parte dos casos locais apresentou sintomas ligeiros, como erupções cutâneas, febre e, às vezes, os olhos vermelhos e inchados.
Até hoje, as autoridades sanitárias mundiais apenas recensearam com o estatuto de epidemia os casos que ocorreram em 2007 em Yap, uma ilha da Micronésia.
A que começou no Brasil há cerca de um ano traduziu-se, para já, no nascimento de milhares de crianças com microcefalia, doença incurável e, por vezes, mortal.
O ministro da Saúde ugandês, num comunicado recente, apressou-se a sublinhar que não havia casos no paÃs e que a epidemia atual não tem origem na Ãfrica Oriental.
Não registamos qualquer caso há vários anos no Uganda e não há qualquer epidemia, sublinhou.
Atualmente, a floresta, próxima da estrada que liga ao aeroporto internacional de Entebe e a 25 quilómetros da capital, Campala, tornou-se um local de investigação do Instituto de Pesquisa sobre o VÃrus do Uganda (UVRI).
Um cartaz deslavado pelo sol e pelo tempo avisa que é interdito entrar na zona.
O nome do vÃrus surge como Ziika - que se pode traduzir por luxuriante no dialeto local, o luganda -, e só nessa zona de 12 hectares contam-se mais de 60 tipos de mosquito.
O UVRI lembra que o visitante mais ilustre da floresta foi o antigo presidente norte-americano Jimmy Carter, que observou os inúmeros tipos de aves também aà existentes. A floresta acolhe todas as semanas estudantes do mundo inteiro, desde o Canadá à Alemanha.
Os pormenores da descoberta do vÃrus em 1947 só surgem cinco anos depois, em 1952, num artigo então publicado na Royal Society de Higiene e Medicina Tropical britânica, em que se descreve a floresta como uma zona bastante arborizada chamada Zika, onde os cientistas procuravam encontrar as raÃzes da febre-amarela em pequenos macacos.
Quase 70 anos após a descoberta, não existe qualquer vacina, nem tratamento especÃfico nem tão pouco um teste rápido de diagnóstico para o Zika, que as autoridades sanitárias norte-americanas se limitam a considerar como um novo vÃrus.
O que se passa na América do Sul é que o vÃrus alterou-se um pouco. Essa mutação, ou mutações, tornou-o mais agressivo na espécie humana e isso traz graves problemas, afirmou Julius Lutwana, um experiente investigador do UVRI.
Por enquanto, segundo as palavras do ministro da Saúde ugandês, o paÃs não tem sido afetado pelo vÃrus, até porque a população da região sempre conviveu com o mosquito.
O Zika teve sempre afeções benignas. Em cada cinco a dez casos, apenas um ou dois apresentam sintomas de febre, sublinhou, admitindo que o facto de a população local estar exposta a muitos outros vÃrus do mesmo grupo ter desenvolvido naturalmente uma espécie de imunidade.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt