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Trabalhadores acusam anterior governo de desinvestir na STCP

A Comissão de Trabalhadores da STCP acusou hoje o anterior governo de ter feito "propositadamente um desinvestimento total" na empresa para degradar o serviço público e facilitar o processo de subconcessão que pretendia fazer.



2016-02-02 17:21:13 - (48 visualizações)

Não temos qualquer tipo de dúvida: o anterior governo fez, propositadamente, um desinvestimento total na STCP [Sociedade de Transportes Coletivos do Porto] de forma a degradar o serviço público e de forma a ser mais fácil o processo de subconcessão, disse Pedro Silva.

Pedro Silva falava no parlamento durante a primeira audiência do grupo de trabalho para debater os projetos de lei do PCP e do BE para a reversão da subconcessão dos transportes, que hoje está a ouvir os sindicatos do setor.

Segundo o representante dos trabalhadores, nos últimos quatro anos houve desinvestimentos ao nível dos funcionários, da frota e da manutenção.

Foi abandonada toda a manutenção preventiva e o défice de motoristas é brutal, disse o sindicalista, acrescentando que faltam atualmente 120 motoristas na STCP, bem como viaturas.

A STCP nunca poderia ganhar passageiros. É fácil perceber o porquê de STCP nunca ter crescido, frisou.

Afirmando que defende a manutenção da empresa na esfera pública porque só dessa forma está garantido o serviço prestado aos clientes e os postos de trabalho, o membro da Comissão de Trabalhadores afasta ainda a possibilidade de municipalização das empresas de transporte por considerar que as autarquias não têm vocação para as gerir.

Pedro Silva disse que, no Porto, há o risco por parte de alguns municípios de privilegiarem operadores privados e receia que a municipalização venha a abrir portas à privatização no futuro.

Para exemplificar o que poderia acontecer com a subconcessão da STCP, referiu que três carreiras da STCP foram entregues a um operador privado de Gondomar e que uma delas costumava ter uma frequência de 12 em 12 minutos e passou a ter de 55 em 55.

Também ninguém vai por um autocarro de madrugada a ir buscar duas ou três pessoas porque não é rentável. É um dos perigos de entregar a privados, frisou.

Por isso, pediram aos deputados que, nos projetos de lei que vão apresentar, fique reforçada a impossibilidade de se subconcessionar no futuro.

Há direitos que a população tem de ter -- Saúde, Educação, Mobilidade - e tem de ser o Estado a assegurar. Só dessa forma é que há efetivamente o direito [de mobilidade] a todos a um preço baixo, frisou.

Da parte da Metro do Porto, o representante Filipe Oliveira disse que a principal preocupação dos trabalhadores é assegurar os postos de trabalho e vivem na expectativa do novo concurso público que vai ser lançado pelo atual governo para a concessão da empresa.

Neste momento, vive-se um clima de incerteza. Os trabalhadores receiam perder o emprego se a empresa passar para a esfera pública, afirmou.

Questionado pelos deputados acerca da realidade de uma empresa pública que é concessionada a um privado, disse que este modelo de gestão sempre funcionou, realçando que não conhecem de outra forma porque nunca pertenceram à esfera pública.

Quanto ao serviço público, disse que a empresa tenta cumpri-lo na íntegra.

Filipe Oliveira defendeu para o futuro melhores condições de trabalho, a abertura de novos cursos de formação e mais flexibilidade por parte da administração em pontualmente alterar horários.

O parlamento aprovou, no final de novembro, a discussão na especialidade dos dois projetos de lei apresentados pelo PCP e quatro pelo Bloco de Esquerda para o cancelamento e reversão dos processos de subconcessão dos transportes públicos de Lisboa e do Porto.

A comissão parlamentar de Economia decidiu depois criar um grupo de trabalho para debater os projetos de lei.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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