Especialista: Há “complacência social” em relação ao consumo de canábis
O especialista em drogas João Goulão alertou hoje para a "enorme complacência social" que existe em relação í cannabis, uma droga que está cada vez mais potente e que tem desencadeado episódios de urgência, psicoses agudas e esquizofrenias.

2016-02-03 17:56:33 - (22 visualizações)
João Goulão, responsável pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), comentava hoje, na Comissão de Saúde, os resultados do relatório anual sobre A situação do paÃs em matéria de drogas e toxicodependências 2014, que apontam para o aumento do consumo de cannabis.
O relatório indica que em 2014 foi mais uma vez consolidado o predomÃnio crescente da cannabis, o que reflete a prevalência do seu consumo no paÃs.
A este propósito, e respondendo ao Bloco de Esquerda sobre a possibilidade do uso da cannabis para fins recreativos, João Goulão lembrou que Portugal foi ao limite do paradigma proibicionista e que agora tem que dar tempo para tomar decisões que sejam fundamentadas cientificamente.
Encontrámos uma solução, admirada no mundo inteiro, de descriminalizar sem despenalizar. Temos todo o tempo para alicerçar as nossas escolhas à evidência cientÃfica. Não devemos dar um salto em frente só porque é a altura ou para sermos modernos, afirmou, salvaguardando que não tem qualquer resistência mental a este paradigma.
No entanto, sublinhou o risco que acarreta o consumo de cannabis, sobretudo de forma intensiva ou em associação com outras substâncias como o álcool ou as benzodiazepinas.
Aliás, o relatório dá conta de que a droga principal mais referida pelos novos utentes em tratamento em ambulatório em 2014 foi a cannabis (49%), sendo simultaneamente a droga ilÃcita percecionada como sendo a de menor risco para a saúde.
Chamo a atenção de que há uma enorme complacência social em relação à cannabis. Chegou à nossa sociedade e o seu uso era residual, não era um fenómeno de massas. Depois transformou-se numa substância usada transgeracionalmente. As gerações mais velhas desvalorizaram o seu consumo, e o dos filhos, e dos netos. Toleram esse uso e é também intergeracional: podemos ver o avô, o filho e o neto a consumir alegremente o seu charro, disse.
Na opinião do presidente do SICAD, alterar este contexto é difÃcil, mas há progressos na perceção do risco e é preciso perceber como minimizar os malefÃcios, se através de polÃticas reguladoras, medidas preventivas, ou outras.
Não acredito que erradiquemos, mas minoraremos o impacto negativo. Hoje há urgências, psicoses agudas e esquizofrenias desencadeadas por estes consumos, alertou.
O relatório revela que no que respeita ao grau de pureza das drogas apreendidas, a potência média da cannabis e em particular da cannabis resina, tem vindo a aumentar nos últimos anos, atingindo em 2014 os valores médios mais elevados desde 2005.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt