Língua francesa abandona o acento circunflexo
O escritor Jules Renard escreveu que "o acento circunflexo é a andorinha da literatura", referindo-se a um dos acentos da língua francesa que vai agora desaparecer de muitas palavras dos manuais escolares.

2016-02-05 21:28:21 - (143 visualizações)
O escritor do século XIX nem suspeitava que, dois séculos depois, o acento provocaria grande indignação no paÃs, entre os que defendem a simplificação da lÃngua e os que pretendem que as velhas regras ortográficas continuem.
O aceso debate começou com uma circular do Ministério da Educação a pedir à s editoras que os manuais escolares do próximo ano letivo já incluam a nova regra, aprovada em 1990 para evitar o declÃnio internacional do francês, mas que nunca foi aplicada de forma generalizada.
Os editores decidiram pôr agora a nova regra em prática nos manuais escolares, explicou o porta-voz do Ministério da Educação, acrescentando que os alunos podem, contudo, usar qualquer das ortografias na escola.
Além do acento circunflexo, a partir de agora, também as cebolas vão deixar de se chamar em francês oignon, para passarem a ognon, enquanto muitas palavras compostas que se separavam com hÃfen vão começar a escrever-se unidas.
As palavras adotadas de outras lÃnguas vão ser adaptadas à grafia francesa.
O objetivo daquela reforma era acabar com muitas das exceções à lÃngua, mas as modificações caÃram no esquecimento.
Cerca de 2.400 palavras vão passar a escrever-se de duas maneiras possÃveis, mas a Academia Francesa recomenda a mais moderna.
A medida que está a provocar uma grande polémica na comunicação social e nas redes sociais, também já chegou à polÃtica.
Renunciar à ortografia é desfigurar a nossa lÃngua, afirmou o ex-ministro conservador francês Bruno Lemaire.
Um debate inútil e demagógico para outros, como o linguista Alain Bentolila, que o considerou como uma cortina de fumo do Ministério para dar a impressão que fazem alguma coisa, em vez de adotarem as difÃceis reformas que a educação precisa.
As mudanças na lÃngua não podem impor-se desde o exterior, sem se incorporarem de forma natural no uso, salientou.
Alain Bentolila, autor de A LÃngua francesa para os tontos, considerou que o convÃvio dos dois modelos vai trazer confusão a alguns e assegura que só responde aos desejos dos editores, para se publicitarem.
O maior sindicato dos professores primários franceses é favorável à introdução do modelo mais simples, porque também vai facilitar a aprendizagem, explicou o responsável pela organização, Sebastian Sihr.
O sindicalista reconhece também que a utilização dos dois modelos pode complicar o trabalho dos professores.
Ficam numa posição incómoda, entre a aplicação da reforma e o respeito pelo uso generalizado, disse, reclamando a adoção de uma nova ortografia por todos os editores para acabar com a dualidade.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt