Angolana Santoro diz que oferta do CaixaBank "morreu"
A Santoro, da angolana Isabel dos Santos, considera que a OPA do CaixaBank sobre o BPI "morreu" com o chumbo de hoje dos acionistas í desblindagem dos estatutos, reiterando-se empenhada na fusão do banco com o Millenium BCP.

2015-06-17 06:00:08 - (146 visualizações)
Nós nunca escondemos que gostaríamos de ter uma outra solução, uma solução mais inclusiva, que criasse um líder de mercado que passa pela fusão entre o Millenium BCP e o BPI. Mas é algo que não é o momento para discutirmos hoje, é algo para se ver a seu tempo, afirmou o presidente do Conselho de Administração da Santoro Finance, Mário Silva, em declarações aos jornalistas no final da assembleia-geral do banco português, que decorreu no Porto.
Assegurando que a Santoro continua comprometida a dialogar com todos os acionistas e a construir a melhor solução para o futuro do BPI, que preserve a estabilidade financeira da instituição e que vá de encontro a todos os objetivos dos acionistas, Mário Silva remeteu, contudo, esta discussão para o momento adequado.
Não me vou pronunciar [sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA)]. Temos que aguardar, há várias opções ainda possíveis, portanto vamos tranquilamente continuar a seguir o processo, disse.
No entanto, quando questionado pelos jornalistas sobre se a OPA, nas condições atuais, morreu, o empresário admitiu que sim, morreu, porque não reúne as condições que foram enunciadas à partida para ter sucesso.
E acrescentou: Nós desde o início que fizemos fazer que, nos termos em que a OPA foi inicialmente apresentada ao mercado, não contaria com o nosso apoio e, portanto, penso que estamos a ser totalmente consistentes com aquilo que sempre dissemos desde o início.
O presidente da Santoro tem vindo a apresentar a fusão com o BCP como uma alternativa viável à OPA, tratando-se de uma solução geradora de valor para os acionistas dos dois bancos ao permitir criar o maior banco português, com posições de referência em três mercados de extremo potencial - Angola, Moçambique e Polónia.
O CaixaBank lançou a 17 de fevereiro uma OPA sobre a totalidade do capital do BPI a 1,329 euros por ação. Duas semanas depois, a angolana Isabel dos Santos avançou uma proposta alternativa de fusão entre o BPI e o BCP, que permitiria criar a maior entidade bancária portuguesa.
Hoje reunidos em reunião magna, os acionistas do BPI decidiram chumbar a desblindagem dos direitos de voto a 20% no banco, que era uma condição essencial para o sucesso da OPA.
Esta alteração dos estatutos do BPI teria de ser aprovada por 75% do capital presente em assembleia, o que significa que Isabel dos Santos, que tem 19% do capital, conseguiu vetar a desblindagem, matando a OPA ou forçando uma revisão dos seus termos.
Segundo um comunicado do banco, a proposta de desblindagem dos estatutos obteve votos a favor de apenas 52,45%, pelo que as alterações não foram aprovadas.
Na assembleia-geral de hoje foram retomados os trabalhados iniciados a 29 de abril passado e que haviam sido suspensos para permitir que, entretanto, a OPA do CaixaBank fosse registada e os acionistas ficassem na posse todos os elementos sobre a operação, o que, contudo, acabou por não acontecer, por não terem ainda sido emitidas todas as autorizações necessárias para publicação do prospeto da operação.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt