Trabalhadores do Novo Banco condenam protesto dos lesados
A Comissão Nacional de Trabalhadores do Novo Banco condena o comportamento de um "alegado grupo de lesados do papel comercial" nas ações de protesto que tem desenvolvido, realçando as ameaças e agressões feitas na quinta-feira a funcionários do banco.

2015-06-19 10:45:09 - (127 visualizações)
Um alegado grupo de lesados do papel comercial pretende, à míngua de outras razões, transformar os trabalhadores do Novo Banco em bodes expiatórios de suas frustrações e de eventuais culpas alheias. Isto já era do nosso conhecimento. Mas as ameaças subiram de tom. De veladas, passaram a explícitas, lê-se num comunicado hoje divulgado pela entidade.
Desde ontem [quinta-feira], atentaram contra a integridade física e psicológica dos nossos colegas. Vestes rasgadas, empurrões, insultos e demais ameaças. Impedindo a entrada dos trabalhadores nos seus locais de trabalho, destaca a comissão de trabalhadores, apelidando estas atitudes de intoleráveis, indignas e injustas.
A Comissão Nacional dos Trabalhadores manifesta-se, inequivocamente, ao lado dos trabalhadores. Repudiamos, vivamente, o comportamento destas pessoas.
Ao mesmo tempo, a entidade que representa os colaboradores do Novo Banco critica a passividade das forças policiais, saúda o papel e o apoio das direções comerciais junto dos balcões e dos nossos colegas e louva a intenção do Conselho de Administração de intentar/diligenciar ações judiciais contra os agressores.
E acrescenta: Responsabilizamos as autoridades deste país, bem como o Governador do Banco de Portugal, pelas eventuais consequências graves que os Trabalhadores do NOVO BANCO, venham a sofrer.
O Novo Banco revelou na quinta-feira que vai exigir por todos os meios legais o apuramento das responsabilidades dos participantes nos protestos dos clientes lesados do papel comercial que acusa de terem agredido verbal e fisicamente colaboradores do banco.
Hoje [quinta-feira], uma vez mais, a Associação dos Lesados deu seguimento à estratégia de reivindicar as suas pretensões recorrendo a métodos fora da lei, salientou em comunicado o banco liderado por Eduardo Stock da Cunha, acrescentando que aquela entidade impediu o acesso de colaboradores do Novo Banco ao seu local de trabalho, para além de os insultar e, nalguns casos, agredir fisicamente.
E vincou: Por essa razão, no seguimento do comunicado de 06 de maio, o Novo Banco vai exigir, por todos os meios legais, o apuramento das responsabilidades, que estão devidamente documentadas, junto dos mandantes e executantes das agressões verbais e físicas praticadas, incluindo os membros dos órgãos sociais da Associação dos Lesados.
Já no início de maio, o Novo Banco tinha emitido um comunicado onde admitia adotar medidas legais contra o comportamento dos lesados do papel comercial de sociedades do Grupo Espírito Santo (GES), que foi vendido aos balcões do Banco Espírito Santo (BES) e não foi reembolsado, que têm feito várias ações de protesto contra a situação em que se encontram um pouco por todo o país.
A unidade especial de polícia da PSP retirou na quinta-feira, sem recurso à força, os clientes lesados do BES que se encontravam a bloquear as entradas da sede do Novo Banco, em Lisboa, pelas 09:30.
Esta ação criou as condições necessárias para os funcionários do Novo Banco poderem entrar na sede do banco, tendo a PSP feito um cordão de segurança debaixo das arcadas do edifício.
Cerca de 100 lesados do BES concentraram-se desde cedo em frente às portas da sede do Novo Banco, em Lisboa, em mais uma ação de protesto, levando a polícia a cortar a circulação do trânsito no local.
A 03 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, separando a instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas), e o banco de transição que foi designado Novo Banco.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt