Conservadores admitem legitimar acordo com credores
O partido Nova Democracia (ND) admite legitimar no parlamento um acordo entre o Governo grego e os credores internacionais para garantir a permanência da Grécia na zona euro, admitiu hoje í Lusa uma deputada do partido conservador.

2015-06-26 07:45:13 - (58 visualizações)
Se este acordo passar no parlamento com o apoio dos partidos pró-europeus, mantém-se a questão de saber se o Syriza perdeu a maioria. Nesse caso não seria realista que Alexis Tsipras permanecesse primeiro-ministro e acredito que um governo de coligação poderia ser uma solução, frisou Niki Kerameus.
Compreendo de certa forma a posição dos credores porque querem garantir o seu dinheiro, mas as medidas propostas pelo atual Governo, sobretudo assentes no aumento dos impostos em vez de medidas estruturais, não vão garantir o seu dinheiro.
Assim, e num país onde toda a economia está paralisada e nada se move, Niki Kerameus entende as pressões que continuam a ser exercidas sobre Atenas.
Agora discutem-se medidas cinco vezes piores que os anteriores governos, para além de não sabermos se nos mantemos na zona euro. A razão da pressão dos credores está relacionada com o défice fiscal, com os números financeiros, justificou.
E aponta a responsabilidade ao Syriza, eleito na base de um programa eleitoral que prometia mais de 11 mil milhões de euros de subvenções à população. Promessas que, como insistiu, se desvaneceram na sequência das negociações com os credores.
Neste aspeto, recorda que a economia estava a recuperar no final de 2014, a última fase do Governo ND-Pasok, e que havia uma luz ao fundo do túnel, que diz ter-se desvanecido.
Para além das funções de deputada, a jurista é responsável pelo setor da reforma pública, uma espécie ministra sombra da ND para a reforma do serviço público, e reconhece que a sua estreia na atividade parlamentar tem sido interessante mas também triste e desapontante, pelo facto de se discutir atualmente a permanência do país na zona euro.
A deputada do ND exclui para já esse cenário. Após uma derrota eleitoral é legítimo que se ponha em causa a liderança. Mas hoje a Grécia está à beira da catástrofe, à beira de abandonar a zona euro, e nesta situação julgo que seria irresponsável discutir a liderança da ND porque o partido tinha de se virar para si próprio e esquecer os grandes problemas do país.
O principal partido da oposição, que governou a Grécia desde 2012 coligado com o partido socialista Pasok, também tem conhecido alguma agitação interna, com diversos setores a sugerirem uma mudança da liderança após o recuo eleitoral nas eleições de janeiro.
O cenário sobre o fim do governo Syriza começou a ser sugerido recentemente pelos setores da oposição conservadora grega, na sequência do impasse nas negociações entre Atenas e os credores internacionais. E esta semana o ex-primeiro-ministro Antonis Samaras propôs um governo de coligação, mas sem concretizar a sua composição.
Nestes primeiros cinco meses, o Syriza não tomou uma única medida que afete o bolso dos gregos, por isso mantém uma taxa de popularidade elevada. Mas se os pensionistas deixarem de receber as reformas, ou os bancos ficarem sem dinheiro, a situação mudará radicalmente, afirmou.
Nesse caso a melhor solução seria um governo de coligação, novas eleições seriam uma catástrofe, assinalou Niki Kerameus.
Ao enfatizar alguns dos cenários políticos que se perspetivam na Grécia, a deputada do ND considera que caso o Syriza não garanta uma maioria no parlamento para legitimar o acordo (detém 149 dos 300 deputados) o atual Governo, que também integra o partido da direita soberanista Gregos Independentes, não poderá sobreviver.
No entanto, o voto do ND, a maior força da oposição, poderá ser decisivo no caso de uma fratura no grupo parlamentar do partido da esquerda radical.
As possíveis divisões na bancada parlamentar do Syriza, o partido da esquerda radical que governa a Grécia desde janeiro, e a eventualidade de um chumbo de um possível acordo, ainda não garantido, entre Atenas e os credores internacionais, já implicou que dois outros partidos pró-europeus (To Potami e Pasok) admitissem legitimar o documento que continua a ser discutido em Bruxelas.
Acreditamos firmemente na nossa permanência na zona euro, não é negociável. Um não-acordo é muito pior que um mau acordo, assinalou esta jurista formada pela universidade de Harvard, Estados Unidos.
Temos de analisar o acordo, mas se a manutenção da Grécia na Europa depender do voto do ND, não acredito que não votemos a seu favor. Não posso imaginar que o ND não apoie esse programa de permanência na Europa, disse à Lusa Niki Kerameus, 35 anos, eleita em janeiro para o parlamento grego na lista nacional do partido liderado pelo ex-primeiro-ministro Antonis Samaras.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt