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Cabo Verde enfrenta "desafios importantes", diz presidente

O primeiro-ministro cabo-verdiano afirmou hoje, durante o debate sobre o Estado da Nação, que o país conseguiu "progressos significativos", mas reconheceu que ainda enfrenta "importantes desafios" em diversas áreas.



2015-07-31 10:00:07 - (47 visualizações)

Subsistem ainda desafios importantes. Uns prendem-se com a condição de pequeno Estado insular e arquipelágico, outros com condicionalismos antigos e estruturais, outros também resultam do próprio progresso que se vai conseguindo, realçou José Maria Neves.

Na abertura do debate, o chefe do Governo cabo-verdiano enumerou os desafios, como a redução das desigualdades, da pobreza e do desemprego, mudanças climáticas, tornar-se menos vulnerável aos choques externos e gestão eficiente e eficaz das infraestruturas.

Quanto mais avançados, mais crescem as expetativas e tudo se torna mais completo. Outros desafios ainda derivam do ambiente global e hipercompetitivo (...). Nem tudo foi feito, mas foi feito tudo o que era possível fazer, prosseguiu Neves, que passou em revista os 15 anos de governação, enumerando os passos significativos em todos os setores de atividades.

O país fez progressos significativos, permitindo-nos doravante ir mais depressa e com maior segurança, acelerar o ritmo nos próximos tempos. O país está num outro patamar, avaliou José Maria Neves, na abertura do debate sobre o Estado da Nação, o último da VIII Legislatura - as eleições legislativas acontecem no primeiro trimestre de 2016 e já anunciou que não é candidato.

José Maria Neves projetou ainda o futuro de Cabo Verde no horizonte de 2030, apontando áreas que podem aumentar o crescimento, como as economias criativas, a economia azul, energias renováveis, aeronegócio, agronegócio e gestão eficaz e eficiente das infraestruturas construídas.

As metas são inegavelmente ambiciosas. Mas as bases já foram construídas, as pontes e as estradas para o futuro já foram lançadas, insistiu o primeiro-ministro, que pediu um pacto à oposição para a despartidarização da Administração Pública.

As realizações e desafios do Governo foram reforçados pelo líder parlamentar do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), Felisberto Vieira, dizendo que o país já investiu muito e vai continuar a investir para ser mais competitivo.

Por seu lado, o líder parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), Fernando Elísio Freire, disse que o estado da Nação é de empobrecimento e que o problema de fundo que afeta a sociedade cabo-verdiana é de natureza política e de conceção e exercício de poder.

Segundo Elísio Freire, o Governo liderado por José Maria Neves teve tempo, recursos financeiros e estabilidade governativa para apresentar melhores resultados.

A Nação vive um dos momentos mais difíceis da sua caminhada. Vive em estado de emergência no mundo rural e numa situação de degradação económica, social e institucional, apontou o líder parlamentar, dizendo que o país tem o mais baixo crescimento económico e a mais baixa taxa de desemprego dos últimos 40 anos.

O modelo político-económico do Governo asfixiou o potencial de iniciativa empresarial do país e impediu a formação de uma classe empresarial dinâmica e forte, prosseguiu Elísio Freire, adiantando que se o MpD for Governo irá implementar uma conceção de exercício de poder completamente diferente, com mais liberdade, mais autonomia e mias iniciativa privada.

O país pode crescer muito mais. Cabo Verde tem potencial positivo. O problema está neste Governo, criticou o dirigente partidário, para quem o MpD é uma alternativa clara de governação e o emprego será a prioridade.

Para o líder da União Cabo-verdiana, Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, o estado da Nação cabo-verdiana não é bom porque apesar de o Governo ter gasto 660 mil milhões de escudos em 15 anos, ainda persiste o clima de insegurança, política fiscal injusta, água e energia mais cara do mundo e jovens formados sem possibilidades de emprego.

Apontando ainda a economia moribunda, as instituições em pé de guerra com o Governo, falta de programa para ajudar os agricultores a salvar o gado, falta de políticas sociais, o líder dos democratas-cristãos pediu algo diferente para o país.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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