Portugal precisa de "resposta descentralizada" para acolher refugiados
A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse hoje que Portugal não pode continuar apenas com declarações, sendo necessário preparar "uma resposta descentralizada" para acolher o maior número de refugiados.

2015-09-08 14:21:25 - (138 visualizações)
É preciso garantir o acolhimento dos refugiados que estão a chegar o mais depressa possível e nas melhores condições possíveis, ou seja, é preciso ter um plano a nível nacional com o apoio das autarquias, afirmou aos jornalistas Catarina Martins, no final de uma visita ao Centro de Acolhimento de Refugiados da Bobadela, em Loures.
A porta-voz do BE, que também se reuniu com a diretora desta unidade de apoio à integração de refugiados em Portugal, adiantou que é preciso passos concretos, não se podendo continuar com declarações.
Há apoio comunitário para acolher os refugiados, aqui só é uma questão de vontade política e de começar no terreno a afirmar a capacidade de receber os refugiados quanto antes, realçou, sublinhando que as equipas que já se disponibilizaram para os acolher, como autarquias, têm que ser montadas e receber a formação e apoio necessário.
Catarina Martins considerou que Portugal tem capacidade para acolher seis mil refugiados, devendo empenhar-se numa solução europeia.
Não deve (Portugal) ficar à espera da quota que lhe dão ou tentar regatear uma quota mais pequena, pelo contrário deve ser uma voz ativa para que seja possível distribuir todos os refugiados pelos países europeus e têm capacidade de os receber, disse.
Catarina Martins defendeu também que Portugal deve ter uma voz forte denunciando e opondo-se aos bombardeamentos que a França e Grã-Bretanha querem levar cabo na Síria, sublinhando que os refugiados estão a fugir de bombardeamento.
Estes bombardeamentos têm que ser travados e sobre isso o Governo português deve ter uma palavra forte, afirmou.
A porta-voz do BE disse ainda que não se compreende que a Europa tenha um mecanismo de pedido de asilo e de entrada na Europa que não seja humana.
Não podemos continuar a ter pessoas a afogar-se no Mediterrâneo ou a serem vítimas de traficantes porque a Europa não tem um mecanismo de pedido de asilo para poderem entrar na Europa com segurança, sublinhou.
No Centro de Acolhimento de Refugiados da Bobadela estão atualmente alojados 80 refugiados, 10 dos quais crianças, de várias nacionalidades, sendo a maioria do Paquistão e da Ucrânia, segundo a diretor da unidade.
Isabel Sales explicou ainda que o centro tem capacidade para alojar 42 pessoas, estando neste momento sobrelotado.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt