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Missão do São João está "manca" por falta de verbas para produções

A presidente do Conselho de Administração do Teatro Nacional São João, Francisca Fernandes, disse hoje que parte da missão daquela instituição está "manca" pelo impacto da crise e dos cortes financeiros que levaram í  diminuição das produções próprias.



2015-09-08 18:42:22 - (158 visualizações)

No discurso introdutório da apresentação da programação até ao final do ano do Teatro Nacional São João (TNSJ), Francisca Fernandes disse que, passado o auge da tempestade da crise, é hora de repensar bem aquilo que se perdeu e, consequentemente, aquilo que pode e deve recuperar-se entre o que teve que ser sacrificado.

Entre 2008 e 2015 o orçamento de atividade do São João caiu 48%, lembrando a responsável da instituição que, em 2012, foi introduzido um corte de 1,2 milhões de euros no valor da indemnização compensatória.

A nível das produções próprias, o valor anual desceu 86% nos últimos sete anos, o que significa que, desde 2012, não tem sido possível fazer mais do que uma produção própria -- ou nem isso -- e reduzida em todas as suas dimensões.

O número de pessoal está abaixo do mínimo que deve ser considerado como aceitável; quanto a este aspeto, basta referir que apesar da integração de dois novos espaços -- o Teatro Carlos Alberto em 2003 e o Mosteiro de São Bento da Vitória em 2007 -- e do funcionamento dos seus três espaços muitas vezes em simultâneo, o TNSJ possui hoje menos cinco trabalhadores do que em 2002, quando apenas geria e programava o Teatro São João, disse a presidente do Conselho de Administração.

Desta forma, Francisca Fernandes realçou que o Teatro Nacional possui hoje praticamente todos os meios logísticos e, sobretudo, todos os meios humanos de que precisa, faltando-lhe porém capacidade financeira para realizar em pleno a sua missão, ou seja, para poder ir de facto mais além na prossecução da sua missão.

Em declarações à Lusa depois da apresentação, a presidente do TNSJ referiu que se reforçaram as coproduções e os acolhimentos, foi possível manter o interesse do público (que cresceu 37% desde 2008), mas questionou: a que preço?

O preço foi as produções próprias quase desaparecerem. E isso tem um custo e era preciso perceber que sem dinheiro não se podem fazer as produções próprias ao nível a que estávamos a fazer. E isso implica que parte da missão do Teatro Nacional, na minha forma de ver, esteja manca, declarou.

O que, para a presidente do Conselho de Administração do TNSJ, significa que é preciso perceber que há coisas que tinham de ser sacrificadas, mas há outras que urge não continuar a sacrificar sob pena de o resultado ser muito, muito penoso para o teatro português.

Isto é suprapartidário, é para além de eleições, é preciso perceber que não está tudo bem. É natural que quem está longe não perceba o que é que se sacrificou, [mas] é preciso voltar a olhar e perceber que urge não sacrificar tudo, apelou Francisca Fernandes.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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