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Eugénio Rosa quer cortar salários de administradores e impedir "gestão desastrosa"

A lista liderada pelo economista Eugénio Rosa í  presidência do Montepio defende a redução para metade das remunerações dos administradores e a limitação de mandatos, com o objetivo de "moralizar" a gestão da Associação Mutualista.



2015-11-10 09:21:09 - (29 visualizações)

É importante moralizar as remunerações e as benesses dos membros dos órgãos sociais, disse em entrevista à Lusa Eugénio Rosa, que concorre à presidência da Associação Mutualista Montepio com a Lista C.

Segundo o economista, na Associação Mutualista os membros do Conselho de Administração ganham o dobro do que ganham os membros do Conselho de Administraçao da Caixa Geral de Depósitos, além de outras vantagens, como o direito a pensão completa com 20 anos de serviço, quando qualquer trabalhador precisa do dobro.

Contra aquilo que considera ser excessivo numa entidade mutualista, que vive dos contributos dos associados, Eugénio Rosa quer regressar aos valores do mutualismo, pelo que o primeiro compromisso eleitoral é a redução imediata para menos de metade das remunerações dos membros do conselho de administração da Associação Mutualista.

Defende ainda a redução do número de administradores da Associação Mutualista - agora que há uma separação da gestão face à da Caixa Económica Montepio - e a limitação de mandatos, justificando que atualmente quem entra instala-se [no Montepio] e põe ao seu serviço toda a estrutura.

Eugénio Rosa diz que isso mesmo é visível no tratamento desigual dado às candidaturas, considerando que a lista do atual presidente, Tomás Correia, tem acesso aos dados dos associados que as outras não têm e que faz uso disso para passar a sua mensagem.

Nas últimas eleições, depois de uma providência cautelar posta por uma das listas, o tribunal obrigou-o a entregar às restantes listas os endereços eletrónicos [dos associados]. Deu-as em papel, eram duas caixas de papel, e ainda por cima pôs a condição de as devolvermos num período três ou quatro dias, relatou o economista.

Se fosse eleito presidente da Associação Mutualista Eugénio Rosa diz que iria promover a alteração dos estatutos, que considera profundamente antidemocráticos e dá como exemplo o Conselho Geral, um órgão de supervisão em que dos 23 membros que o constituem 11 estão lá por inerência, enquanto membros dos órgãos sociais (cinco do Conselho de Administração, três do Conselho Fiscal e três da mesa da assembleia-geral), e só 12 são eleitos diretamente pelos associados.

A questão que se coloca é que como é que um órgão se controla a si próprio? Nós defendemos que se use o método proporcional em todos os órgãos, afirmou.

O economista Eugénio Rosa quer também impedir que aconteça na Associação Mutualista Montepio o que aconteceu na Caixa Económica, pelo que decidiu apresentar-se às eleições contra o atual presidente, Tomás Correia, a quem acusa de gestão desastrosa.

O objetivo desta candidatura, explicou, é impedir que aconteça na Associação Mutualista o que aconteceu na Caixa Económica, que nos últimos dois anos (2013 e 2014) registou resultados negativos acumulados de mais de 400 milhões de euros.

Além dos prejuízos do banco Montepio, o economista critica as decisões megalómanas tomadas, referindo entre elas compra do Finibanco e a passagem de um banco sobretudo de crédito à habitação para banco de empresas, bem como a muito grande concentração de ativos financeiros da Associação Mutualista junto da Caixa Económica, afirmando que tal põe em causa a segurança das poupanças dos mais de 600 mil associados do Montepio.

É diferente, mas as pessoas ficaram chocadas pelo facto de a Portugal Telecom ter investido 900 milhões de euros numa única entidade [o BES]. A Associação Mutualista tem investido numa única entidade quatro vezes mais, cerca de 3.600 milhões de euros, afirmou, dizendo que os dados citados são referentes ao final de 2014.

O objetivo foi o financiamento da caixa económica. Isto não é uma gestão que dê segurança aos associados, considerou, lembrando que a prudência na gestão financeira passa por não pôr os ovos todos no mesmo cesto.

Apesar de Tomás Correia ter deixado este ano de estar à frente da Caixa Económica Montepio Geral, ficando apenas com a presidência da Associação Mutualista, Eugénio Rosa não lhe poupa críticas, afirmando que continua a existir uma cultura autoritária dentro do Grupo Montepio que é fundamental eliminar, em que Tomás Correia atua quase como dono do Montepio.

As quatro listas que concorrem a todos os órgãos sociais do grupo são dirigidas pelo atual presidente do grupo, Tomás Correia, (Montepio para todos), pelo economista Eugénio Rosa, (Segurança, transparência, confiança na gestão do Montepio: Defender o mutualismo), pelo gestor António Godinho (Renovar o Montepio) e por Luís Alberto Silva (Vote: O Montepio é Seu!).

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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