Organizações pela libertação dos 17 ativistas não acreditam na justiça
Diversas organizações de defesa dos direitos cívicos e humanos presentes numa concentração hoje, em Lisboa, pela libertação dos 17 ativistas angolanos, expressaram í agência Lusa o seu ceticismo face ao julgamento em curso em Angola.

2015-12-02 22:42:32 - (79 visualizações)
Este julgamento não me deixa dormir descansado à espera do resultado, pois a confiança não é a primeira palavra que me ocorre perante a forma como está a ser conduzido o processo, explicou o músico luso-angolano Pedro Coquenão à Lusa, no Rossio, onde cerca de 70 pessoas se concentraram em resposta a um apelo do grupo de cidadãos LAPA (Liberdade aos Ativistas Presos em Angola).
Como forma de chamar a atenção para um julgamento que consideram uma farsa, os organizadores da concentração exibiram o vÃdeo JES [José Eduardo dos Santos] - Momento de Fra(n)queza, uma montagem disponÃvel no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=JxtUL64DlMA), e exibiram um cartaz onde se lia Liberdade Presos PolÃticos e uma faixa com a inscrição: Democracia de Verdade Já!.
Para o músico, a forma como o caso evolui não abona a favor da competência, da retidão e da imparcialidade do sistema judicial angolano, pois a avaliação da situação foi feita antes, aguardando-se apenas que seja comunicada a decisão que já terá sido tomada.
O sistema de justiça em Angola está muito aquém do desejável e, quando os advogados de defesa vão para julgamento sem ter tido acesso a todo o processo, há más intenções, declarou, por seu lado, Timóteo Macedo, da Solidariedade Imigrante, para quem o julgamento está a ser manipulado pelo sistema polÃtico angolano.
Segundo o presidente da associação, em Angola não há liberdade de expressão, não há liberdade de reunião, e as pessoas são presas por dá cá aquela palha.
Estas pessoas [os ativistas detidos] têm de ser libertadas de imediato, sublinhou Timóteo Macedo, ele próprio um ex-preso polÃtico de Angola, onde esteve preso por 18 meses nos anos de 1978 e 1979.
Na opinião de João Paulo Batalha, da associação Transparência e Integridade, o julgamento dos 17 ativistas é mais um passo numa sucessão de aumento da repressão e limitação da liberdade de expressão, da liberdade de protesto, da liberdade de organização.
O processo é uma tentativa do regime de suprimir o descontentamento e a liberdade de expressão do povo angolano, para conseguir que continue viva a cultura de impunidade que tem governado aquele paÃs desde há décadas e que, finalmente, está a ser questionada, não só por organizações internacionais como pela própria população angolana, que é o que tanto assusta o regime, afirmou ainda.
No plano judicial, este é um processo que está a ser politicamente patrocinado e em que todo o sistema judicial está ao serviço do objetivo polÃtico e isso, obviamente, não nos faz prever um desfecho animador ou positivo, declarou o responsável da Transparência e Integridade, para quem não têm sido garantidos aos réus direitos elementares de defesa.
Todavia, aquilo que foi libertado da vontade de expressão, da vontade de organização e da vontade de mudança da sociedade angolana já não pode ser reprimido, já não pode ser suprimido, por muito que o regime tente, e a esperança que temos é de que, com organizações internacionais no terreno e a sociedade civil de vários paÃses mobilizada, consigamos a mudança a que o regime resiste, concluiu.
Presente na ação, a Amnistia Internacional aproveitou para recolher assinaturas para uma petição que tem em curso, com vista à libertação dos 17 ativistas angolanos, 15 dos quais detidos desde junho, e que conta já com mais de 40.000 subscritores.
Â
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt