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Brasil enfrenta a "tempestade perfeita" na economia

O diretor de investimentos do Banco Carregosa considerou hoje í  Lusa que o Brasil enfrenta a "tempestade perfeita", mostrando-se pessimista sobre a capacidade de as autoridades resolverem os constrangimentos que impedem o crescimento económico.



2016-01-10 10:35:11 - (51 visualizações)

O Brasil enfrenta a tempestade perfeita criada por um ciclo negativo no preço das matérias-primas, nomeadamente petróloe, produtos agrícolas e metais e minérios, e o facto de ser exportador de todas elas, a incapacidade de desindexar o aumento dos salários à subida da inflação, ligando-os à produtividade, e a forte dependência do andamento da economia chinesa, resumiu João Pereira Leite em entrevista à Lusa.

A tempestade perfeita de que fala o economista e diretor de investimentos no Carregosa materializa-se na recessão que o Brasil já registou no ano passado e que deve voltar a sofrer este ano: Muitas das reformas estruturais ainda estão por fazer, e espera-se que o PIB tenha contraído cerca de 3,7% no ano passado e mais 2,5% este ano.

O conjunto de dificuldades por que passa o Brasil tem, diz o analista, várias causas, mas todas elas se conjugaram para criar uma espécie de espiral negativa que as autoridades não vão conseguir ultrapassar a curto prazo, desde logo porque a Presidente Dilma não só não tem o capital político, como também não tem espaço de manobra face ao seu histórico e à opçoes políticas que defende

Para João Pereira Leite, se fosse possível apontar apenas uma causa da recessão do Brasil para níveis inéditos neste milénio, ela seria a indexação dos aumentos salariais à subida da inflação.

O grande estrangulamento da economia brasileira é a completa desconexão entre a subida dos salários e a produtividade, porque os salários estão, por decreto, indexados à subida da inflação, diz.

Quando o petróleo se vendia ao triplo do valor atual, abaixo da casa dos 40 dólares por barril, esta irracionalidade não se notava muito, mas quando o cenário se inverteu, há quase dois anos, o Brasil viu-se obrigado a recorrer à desvalorização cambial para comensar a queda do preço das matérias-primas e ganhar competitividade.

O problema, acrescenta, é que baixar o valor da moeda tem um efeito perverso: torna os produtos importados mais caros, portanto importa-se a infação, e este ciclo inflacionista leva o banco central a subir as taxas de juro, o que cria ainda mais recessão e contração do investimento, e como a inflação e os salários sobem, na verdade isto leva depois o banco central a desvalorizar o real, criando uma espiral negativa sem fim.

A taxas de juro diretora está nos 14,25%, ao passo que a inflação estava, no final do ano passado, acima dos 10% face ao homólogo, e já são precisos quase 4,4 reais para comprar um dólar, o que mostra uma perda de valor de 50% em 2015.

A solução, continua João Pereira Leite, não será fácil nem rápida: São precisas novas políticas e novos políticos, e enquanto não houver uma mudança política no Brasil será muito difícil romper com este ciclo.

O investimento direto estrangeiro, um dos motores da economia brasileira, está em abrandamento desde 2014, e para este ano os investidores estão receosos, até pela forte dependência do Brasil face à China, ela própria em processo de abrandamento do crescimento económico e redução do valor da moeda.

O Brasil está muito dependente do que acontecer à China, e a desvalorização da moeda chinesa não é um bom prenúncio, desde logo porque é um dos principais parceiros, diz o analista.

A China é o maior comprador de matérias-primas de vários países emergentes, dependendendo das vendas para potenciar o crescimento, e o Brasil é o segundo maior fornecedor de bens à China entre estes mercados, notava recentement a Economist Intelligence Unit, a unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

O IDE continua positivo, mas está muito abaixo do fluxo de 2014 e anos anteriores, o que é evidencia que as pessoas estão um pouco descrentes neste modelo económico e da política brasileira, portanto a tendênca é para o investimento externo continuar em queda este ano, também porque o mercado não é aberto, é protegido e há imensas resistências para quem quer lá investir, diz o responsável pelos investimentos do Banco Carregosa.

A compensação para esta quebra na entrada de divisas teria de vir do mercado interno, mas João Pereira Leite aponta que o saldo primário já é negativo desde maio, o que significa que o endividamento está a crescer significativamente, e a taxas que rondam os 14% para a dívida pública.

O Brasil, conclui, depende de novas políticas e maior disciplina e maior foco no longo prazo e menos na popularidade e nas medidas de curto prazo, mas esta Presidente tem pouco capital político para adotar estas decisões difíceis, de longo prazo e impopulares.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt

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