Paris abre portas a retrospetiva de artista portuguesa
O Museu Jeu de Paume, em Paris, apresenta a primeira retrospetiva em França da artista portuguesa Helena Almeida, para "dar a atenção há muito tempo merecida a uma obra que parece cada vez mais relevante", disse o curador í Lusa.

2016-02-08 15:42:22 - (22 visualizações)
A exposição, que abre ao público na terça-feira, foi montada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, que a exibiu de 16 de outubro a 10 de janeiro, sendo comissariada pelo diretor-adjunto do museu de Serralves, João Ribas, e pela curadora Marta Moreira de Almeida.
Diria [que é para] dar a atenção há muito tempo merecida a uma obra que parece cada vez mais relevante, mais contemporânea e que já juntava tendências que agora são de grande interesse no contexto da arte contemporânea, descreveu à Lusa João Ribas, na visita à imprensa, realizada hoje, em Paris. Ela sempre foi uma artista internacional e esta retrospetiva existe porque há um grande interesse em saber mais e conhecer mais, acrescentou.
João Ribas destacou que Helena Almeida certamente não é conhecida [em França] como em Portugal, mesmo que o público francês possa conhecer, talvez, as pinturas habitadas, que são obras de grande referência na arte contemporânea portuguesa e internacional.
O diretor de Serralves arrisca dizer que é impossÃvel escrever uma história da fotografia, uma história da performance, seja no contexto português ou no contexto internacional, sem incluir o trabalho de Helena Almeida (...) Também querÃamos destacar que é uma artista que continua a trabalhar hoje em dia, que trabalha todos os dias, afirmou.
O diretor-adjunto de Serralves acrescentou que a mostra em Paris surgiu do grande interesse de museus internacionais, lembrando que a exposição também vai estar no Centro de Arte Contemporânea WIELS, em Bruxelas, de 10 de setembro a 11 de dezembro.
Em Serralves, a exposição chamou-se Helena Almeida: A minha obra é o meu corpo, o meu corpo é a minha obra, mas, para a itinerância, foi escolhido o tÃtulo Corpus, para cruzar a ideia de um corpo de trabalho, enquanto retrospetiva, com a referência ao corpo como um elemento principal no trabalho da Helena Almeida, e porque é uma palavra que funciona em quase todas as lÃnguas, por causa da relação com o latim.
A mostra, concebida como uma grande performance, reúne obras de fotografia, pintura, vÃdeo e desenho, da década de 1960 a 2012, acompanhando a evolução da artista portuguesa que habitou as suas pinturas, ao trabalhá-las a partir da fotografia, e que sempre testou os limites dos diferentes meios de expressão plástica.
A curadora Marta Moreira de Almeida declarou à Lusa que acha que a exposição vai ser um sucesso, tendo em conta as visitas preliminares à imprensa e a convidados vip, sublinhando que é com grande satisfação que vê esta adesão do público, face a uma obra fresca, leve, radical.
As pessoas gostam e entendem a obra dela com uma certa facilidade, sentem-se próximas, acrescentou.
Durante a visita à imprensa, esteve presente a escritora belga Amélie Nothomb, uma das figuras mais mediáticas da cena literária francesa, que desconhecia o trabalho de Helena Almeida que classificou como largamente mais contemporânea que Louise Bourgeois.
Ela é incrivelmente contemporânea. Quando olhamos para as datas das obras - a maior parte dos anos 70 - parece que foram feitas anteontem. Está mesmo na vanguarda e eu não conhecia a vanguarda portuguesa e parece-me que é muito mais avançada que as outras vanguardas europeias, disse a escritora à Lusa.
As obras de Helena Almeida também inspiraram os artistas Géraldine Alexeline e Olivier Couto que, durante a visita, quiseram habitar as imagens da artista ao criar performances fotografadas em frente às obras.
Ela provoca algo, é uma grande artista e nós gostamos de participar nas exposições de forma ativa. Nós apropriamo-nos da obra dela e, de certa forma, copiamo-la, descreveu à Lusa Géraldine Alexeline.
A exposição, patente até 22 de maio, está integrada na iniciativa Printemps Culturel Portugais (Primavera Cultural Portuguesa) que vai reunir em Paris, ao longo dos próximos meses, a obra de artistas portugueses como Julião Sarmento, Amadeo de Souza-Cardoso, vários nomes da arquitetura dos últimos 50 anos, e a produção do Teatro Praga.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt