China continua semana "negra"
A bolsa de Xangai encerrou hoje em terreno negativo, com o anúncio das medidas por parte do banco central chinês a atenuarem as pesadas perdas que marcaram o arranque da semana, mas a revelarem-se insuficientes para inverter a tendência.

2015-08-26 09:21:09 - (110 visualizações)
O Índice Composite de Xangai fechou a cair 37,68 (1,27%), cotando-se nos 2,927.29 pontos, numa sessão muito volátil, iniciada em alta ligeira (0,53%), em que chegou a valorizar até 4,29% e a descer até 3,85%.
O principal indicador da bolsa de Shenzhen, a segunda praça financeira da China, caiu 3,05% no encerramento, até aos 1,695.76 pontos.
Depois de ter afundado 8,49% -- na maior queda em oito anos no volátil mercado de capitais da China -- na segunda-feira negra e de ter fechado, no dia seguinte, a cair 7,63%, a bolsa de Xangai voltou hoje a encerrar no vermelho, mas as medidas anunciadas pelo banco central chinês terão contribuído para moderar as perdas.
O banco central chinês anunciou uma nova baixa das taxas de juro -- pela quinta vez desde novembro último -- reduzindo ainda mais os rácios das reservas obrigatórias dos bancos, num aparente esforço para conter a queda das bolsas da segunda maior economia mundial.
A partir de hoje, a taxa de empréstimos a um ano e a taxa de depósitos a um ano vão diminuir em 25 pontos base, reduzindo-se para 4,60% e 1,75%, respetivamente, segundo divulgou a entidade financeira na sua página oficial na Internet.
Em paralelo, o banco central deu conta do corte em 50 pontos base do rácio das reservas mínimas obrigatórias impostas a determinadas instituições financeiras.
Ainda no mesmo dia, o Banco Popular da China fez saber que injetou 150.000 milhões de yuan (cerca de 20,3 mil milhões de euros) para aumentar a liquidez do sistema financeiro do país. O banco central justificou a necessidade da medida com a redução da liquidez no mercado causada pela desvalorização do yuan.
A instituição financeira tem feito várias injeções de liquidez nos últimos dois meses para garantir a estabilidade do sistema financeiro do país num período de turbulências devido à crise bolsista e após a recente desvalorização do yuan.
O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, afirmou, porém, estar confiante de que a segunda economia mundial vai cumprir as metas que o Governo fixou para este ano, apesar de reconhecer o impacto da crise bolsista.
A China tem confiança para alcançar os seus principais objetivos de desenvolvimento para este ano sob adequadas medidas de reforma para estabilizar e reestruturar a economia, afirmou Li Keqiang, em declarações citadas hoje pelo jornal oficial China Daily.
Li Keqiang reconheceu que a economia chinesa se tem visto afetada pela turbulência nos mercados globais, mas defendeu que os seus pilares se mantêm estáveis e que o gigante asiático vai manter um ritmo de crescimento razoável.
Ainda temos margem para aplicar mais políticas macroeconómicas e a China tem um mercado interno enorme, argumentou. A segunda economia mundial manteve um crescimento de 7% no segundo trimestre de 2015, e confirmando a nova normalidade defendida pelo governo chinês.
Aquele valor (7%), que coincide com a meta apontada pelo governo chinês, excede também a previsão do Fundo Monetário Internacional acerca do crescimento económico da China em 2015 (6,8%).
Comparando com igual período do ano anterior, o crescimento da economia chinesa no primeiro semestre abrandou 0,4 pontos percentuais. Se aquele valor (7%) se mantiver ao longo do ano, será o mais baixo do último quarto de século.
Fonte: http://www.noticiasaominuto.pt